“... é para um Cristo vivo nos céus que os crentes são reunidos pelo Espírito Santo. Estamos unidos a um Chefe vivo — fomos levados a uma "pedra viva" (1 Pe 2:4). O Senhor é o nosso centro. Havendo achado paz pelo Seu sangue, nós reconhecemos que Ele é o nosso grande centro de reunião e o laço que nos une. "Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mt 18:20). O Espírito Santo é o único que promove a reunião; Cristo é o único objetivo em volta do qual nos reunimos; e a nossa assembleia, assim convocada, deve ser caracterizada pela santidade, de maneira que o Senhor nosso Deus possa habitar entre nós. O Espírito Santo só nos pode reunir para Cristo; não nos pode reunir em torno de um sistema, um nome, uma doutrina ou uma ordenação. Ele reúne para uma Pessoa, e essa Pessoa é Cristo glorificado no céu.”– Mackintosh

Seguidores do Senhor Jesus Cristo

Com Cristo na Escola de Oração

PREFÁCIO

De todas as promessas ligadas ao mandamento "permanecei em mim" (João 15.4) não existe nenhuma maior, e nenhuma que mais rapidamente nos leve a confessar: "Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição" (Filipenses 3.12), do que esta: "Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito" (João 15.7). Poder com Deus é a mais alta realização de uma vida de plena permanência n'Ele.

E de todas as características de uma vida semelhante à de Cristo não há nada mais sublime nem mais glorioso do que se conformar a Ele na obra a qual agora, incessantemente, Se dedica na presença do Pai - Sua poderosa e eficaz intercessão. Quanto mais permanecemos n'Ele e crescemos à Sua semelhança, mais poderosamente Sua vida sacerdotal opera em nós, e nossa vida se tornará tal qual a Sua, uma vida que sempre suplica e prevalece em favor dos homens.

"Tu nos fizestes reis e sacerdotes para Deus" (Apocalipse 1.6). Poder, influência e bênção são fatores primordiais no ofício de um rei ou de um sacerdote. O rei exerce um poder que vem de cima para baixo; o sacerdote exerce um poder que vai de baixo para cima, levando-o a prevalecer com Deus. Nosso bendito Sacerdote e Rei Jesus exerce Seu poder de rei fundamentado no de sacerdote: "Ele pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Hebreus 7.25). E conosco, Seus reis e sacerdotes, não pode ser diferente: é pela intercessão que a Igreja deve exercer seu mais alto poder e que cada um de seus membros deve provar sua descendência israelita, como príncipe que luta com Deus e com os homens e prevalece.

Este livro foi escrito sob uma profunda convicção de que o lugar e o poder da oração na vida cristã têm sido muito pouco compreendidos. Estou bem certo de que enquanto considerarmos a oração apenas um meio de manter nossa vida cristã, nunca alcançaremos seu pleno significado. Mas se aprendermos a considerá-la como a parte mais sublime do trabalho a nós confiado, como a raiz e a força de todo o empreendimento divino, mais nos conscientizaremos de que, acima de qualquer outra coisa, precisamos estudar e praticar a arte de orar corretamente. Se, de alguma maneira, tiver conseguido salientar o ensino progressivo de nosso Senhor em relação à oração, sua nítida indicação de que as maravilhosas promessas da última noite (João 14.16) estavam intimamente ligadas com as obras que iríamos realizar em Seu nome (obras maiores até) e com a produção de muito fruto, todos nós teremos de admitir algo seriíssimo: somente quando a Igreja se dispuser para esta divina obra de intercessão é que podemos esperar que o poder de Cristo se manifeste em seu favor. Minha oração é que Deus use este livro para tornar mais claro para alguns de Seus filhos o maravilhoso lugar de poder e influência que Ele - e também o mundo cansado - espera ver ocupado por eles.

Relacionado a isso, gostaria de acrescentar outra verdade que veio a mim com surpreendente clareza à medida que meditava nos ensinamentos de Jesus sobre oração: que o Pai escuta, atentamente, cada oração de fé, a fim de nos conceder seja o que for que desejamos ou pedimos em nome de Jesus. Acostumamo-nos tanto a limitar Seu maravilhoso amor e Suas grandes promessas que não conseguimos ler as mais simples e claras afirmações de nosso Senhor sem estabelecer condições e sem levantar objeções humanas. Se há algo que a Igreja precisa aprender é que Deus quer responder às nossas orações e que ainda não penetrou no coração do homem o que Deus fará ao filho que se dispõe a crer que sua oração será respondida. Deus ouve oração; essa é uma verdade admitida pela maioria dos cristãos, mas são poucos os que entendem seu significado ou experimentam seu poder. Se o que escrevi fizer com que o leitor busque as palavras do Mestre e tome posse de Suas maravilhosas promessas, simples e literalmente como são, então meu objetivo terá sido alcançado. E só mais uma coisa. Milhares têm, nos últimos anos, alcançado uma bênção indescritível ao compreender que Cristo é completamente nossa vida e como ele se encarrega de vida e como Ele se incumbe de ser e fazer em nós tudo que precisamos. Não sei se já aprendemos a aplicar essa verdade à nossa vida de oração. Muitos alegam que não têm poder para orar com fé, para fazer a oração que "muito pode por sua eficácia" (Tiago 5.16). A mensagem que de bom grado gostaria de lhes transmitir é que nosso amado e bendito Jesus está esperando, ansioso, para lhes mostrar exatamente como fazer isso.

Cristo é a nossa vida (Colossenses 3.4): no céu, Ele vive sempre a orar; Sua vida em nós é uma vida de contínua oração, se tão somente confiarmos n'Ele para isso. Cristo nos ensina a orar não apenas pelo exemplo, pela instrução, pelo mandamento ou pelas promessas, mas através de revelar-nos a Si mesmo como o Intercessor eterno, como nossa Vida. Apenas quando crermos nisso, e irmos e permanecermos n'Ele também para a nossa vida de oração, é que os nossos temores de não sermos capazes de orar corretamente desvanecerão, e alegre e triunfantemente confiaremos em nosso Senhor para nos ensinar a orar, para ser Ele mesmo a vida e o poder de nossa oração.

Que Deus abra nossos olhos para ver o santo ministério de intercessão para o qual nós, como Seu sacerdócio real, fomos separados. Que Deus nos dê um coração generoso e ousado para crer na poderosa influência que nossas orações podem exercer. E que todo temor quanto à nossa capacidade de cumprir nossa vocação desapareça à medida que virmos Jesus, que vive para orar, que vive em nós para orar e oferece Sua própria garantia para nossa vida de oração.

Andrew Murray

Wellington, 28 de outubro de 1895

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